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[ A Autora]

Nome: Joyce Costa Carvalho

Idade: 19

Aniversário: 16-01-1986

Curso: Licenciatura em Letras na UFMA

Fisicamente: 1,64, olhos e cabelos castanhos

Psicologicamente: Sou inconstante, tenho mania de perfeição e sou fiel a meus objetivos.

Objetivos: Escrever um romance sobre minha cidade e ser feliz!

Pretendo ser: Algo entre professora, tradutora e escritora.

Livro que mais gostei de ler: O Primo Basílio, de Eça de Queirós.

Livro que me deixou em frangalhos: Fausto de Goethe.

Estou lendo: O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, Miguel Cervantes.

Estou ouvindo: Lose My Breath, Destiny's Child.

Gosto da letra de : Kiss Me, Sixpence.

Ídolo: Pelas maravilhas que realizou na minha vida, as quais sou eternamente grata, Deus.

Detesto: Peixe Cozido (embora saiba que é saudável), chá de boldo e chá de pariri, carne cozida e suco de melão.

Adoro: Torta de camarão, suco de uva e suco de bacuri (e outros que não seja melão), club social, nikito, fanta uva, etc...

Cor preferida: azul e suas nuances.

Cor odiada: roxo

Se quer me agradar: Não discuta religião e política (esses assuntos não se discute), não seja vaidoso, seja divertido, seja você mesmo, não tenha mania de grandeza.

Se não fosse homo sapiens: seria uma Borboleta, pois ela significa, transformação e evolução, além de uma beleza indiscutível.

Bichinhos de estimação: Um gatinho siamês de 4 anos, chamado Tom, um cachorro turrão de 6 anos chamado Bob, tinha um periquito chamado João, mas um gato vira-lata comeu ele.

Filmes que + gosto: Matrix Reloaded, Matrix, A bruxa de Blair, Segredos dos Passado, A Cela, Central do Brasil.

Assisto(assisti) e gosto (gostei): Sexo Frágil, Hoje é dia de maria, A Diarista.


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Vivo em inconstantes pesquisas, recentemente, encontrei sites interessantes sobre mitologia, história e tradução mecânica, que me auxiliaram muito, além de alguns preferidos, que podem ajudar.

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[Domingo, Fevereiro 20, 2005]

UMA ROSA

Sete da noite. Anselmo estava cabisbaixo, encharcado, decepcionado. Esperava de pé em frente ao sobrado, enquanto caía uma chuvarada. Nas mãos do jovem rapaz, uma rosa murcha. No coração, uma dor terrível. Ah se tivesse ouvido os conselhos de seus pais! Mas, não. Agora, só restava voltar para casa e esquecer que um dia conhecera Armelina. Não seria tão difícil, se a rapariga não fosse tão bonita. Quando fechava os olhos só lembrava daqueles cabelos negros roçando no corpo durante os tais momentos, que fazem certas partes do corpo ferverem. Fechando-os novamente, parecia sentir mais uma vez, aquela pele branquinha e quentinha, os lábios vermelhos e carnudos encaixados na sua boca. E caso ainda tivesse razão para zangar-se, os olhos profundos da moça o deixavam pasmo, inútil, sem ação. Bastava um só sorrisinho estampado naquele rostinho de fada, para transformar qualquer valentão num maricas. Para tudo isso acima descrito há um único culpado: o Amor.
Se não fosse esse sentimento avassalador, impiedoso e traiçoeiro atrapalhar-lhe a vida, ainda hoje teria a confeitaria, o carro, a casa e seu dinheiro intactos. Porém, para desfrutar da companhia, e de outras coisas que não devo citar, da sedutora Armelina, Anselmo teve que se desfazer aos poucos de seus bens.
Tudo começara há um ano, quando o senhor Joaquim de Castro Pereira mudou-se para o vilarejo de Santo Antônio. O viúvo trazia consigo seu único tesouro: Armelina.
O pai fazia-se de tolo, mas sabia de todos os estratagemas da filha para conseguir o pão de cada dia, e compactuava com eles. A moça não tinha mais que quinze anos, entretanto, seus pensamentos e ações denunciavam sua maturidade mental.
Anselmo era um moço trabalhador, não tinha irmãos, e muito menos fortuna. Administrava a confeitaria de seu pai, que se encontrava acamado em virtude de uma doença nos ossos, com muito entusiasmo e competência. Estudou nos melhores colégios, e logo se via pelo seu trajar que não era um pobre miserável, como a maioria dos rapazes do vilarejo.
Seria rico, se o pai não tivesse despendido os haveres de seu avô com meretrizes e baralho.Contudo, num ato de lucidez de sua mãe, Anselmo foi mandado para a França, ainda pequeno, arranjando-se com que restava da herança. Desse quinhão ainda foi retirado uma pequena parcela para a mudança do luxuoso solar para o sobrado modesto em Santo Antônio. O pai de Anselmo, o senhor Afonso Gomes da Cunha, pouco antes de ter conhecimento sobre sua doença, construiu uma confeitaria e tentou viver decentemente. Acometido pela fatalidade, teve que vir de Paris, o único filho, para tomar conta dos negócios. O tempo corrido entre a viagem para a cidade-luz e a fatalidade foi de dezessete anos.
Aos vinte anos, Anselmo só conhecia o Amor dos romances e dos contos de fada, até deparar-se com Armelina. Tal foi o choque de ver aquela criatura pedir uma torta de chocolate, que suas únicas palavras foram ¿sim¿ e ¿obrigado¿. A moça, que não é boba, deu logo um jeito de balançar os cabelos e deixar cair uma alça do vestido. Estava feito. Foi Amor à primeira vista.
Deste dia em diante, Anselmo não fazia outra coisa a não ser escrever poemas em Francês e recitá-los aos quatro ventos. Seus pais já desconfiavam que ele estivesse enrabichado por alguma moça, mas, quase bateram as botas quando souberam que a fulaninha era a libertina da Armelina de Castro Pereira.
Como em toda família de boa índole, era necessário afastar o filho querido dessa caçadora de ouro. Anselmo desesperou-se. Não comia, não bebia, não dormia. Recusava-se a respirar. Tentou suicidar-se, os pais o detiveram e chegaram à conclusão que o melhor era libertá-lo. O rapaz trabalhador e honesto de antes, transformara-se num louco capaz de tudo para satisfazer a amada.
Descobriu o endereço da moça. Toda manhã punha à frente da porta do sobrado, flores, uma caixa de bombons e um cartão com um poema em francês. Julgava ele que Armelina soubesse a língua em voga, entretanto, a rapariga custou a entender que se tratavam de poemas amorosos, aliás, mal sabia ela o português!
Anselmo não assinava os cartões. Tímido como era, só foi descoberto um mês depois, quando o pai de Armelina o surpreendeu olhando às escondidas para sua filha, enquanto esta lia o cartão.
Milagrosamente, após a descoberta, a moça passou a visitar a confeitaria todas as tardes. O dono do estabelecimento servia à visitante as mais diversas iguarias, e esta, só respondia com piscadelas, requebros e olhares maliciosos, o que deixava Anselmo fascinado. Ela adorava ouvi-lo falar francês, e ele exagerava no sotaque para agradá-la, dizendo aos empregados: Au travail! Au travail!1
Um dia, Anselmo tomou coragem e propôs a Armelina que se encontrassem perto do chafariz, no centro da pracinha, às cinco da tarde. Ela aceitou. No dia e hora marcados, lá estava ela com um belle tenue2, a esperar por ele. Anselmo trazia consigo, além de uma ventura incontrolável, um ramalhete de margaridas e um cartão recheado pelas palavras: Je t¿aime, mon amour3.
Ela nem quis saber do que se tratava. Tacou-lhe um beijo na boca, que o deixou tonto por alguns minutos. No segundo encontro, Armelina convidou-o para ir à sua casa. Anselmo alinhou-se. Jurava que ela iria apresentá-lo para o pai, pois, como toda boa moça queria oficializar o compromisso e casar-se. Enganou-se.
Quando lá chegou, o velho, se me permitem a intimidade, ressonava como um motor velho.
Pobre romântico!
Ao abrir a porta, ela recolheu as margaridas e o cartão que dizia: Je veux crier au monde mon amour par toi4. Em sua ignorância, Armelina jogou o papel no chão e levou Anselmo para o quarto. Depois de muito relutar, o rapaz cedeu aos encantos daquela viborazinha. E os dois gozaram a noite toda.
Quando o rapaz, recém-disvirginado, voltou para a casa com o céu já claro, foi crivado de sermões por todos os lados. Até sua criada o chamou de cego, tolo, desvairado. Sua mãe puxou-lhe a orelha, como se o homem feito, regredisse à condição de um moleque travesso. Ela jogou-lhe na cara a doença do pai, e gritava à seus ouvidos:
¿ Caia em si, Anselmo! Caia em si!

E começou a insultar Armelina de maneira cada vez mais grosseira. Ao final dos impropérios, a senhora Gomes da Cunha, exigiu que o filho esquecesse aquela...aquela sanguessuga!
Anselmo revoltou-se com a comparação. Ah, aquilo era demais! Dizer que aquele anjo sem asas, aquela Vênus, era semelhante a um bicho tão asqueroso como uma sanguessuga! Isto ele não podia aceitar! E saiu gritando pelos corredores:

¿ Jamais! Jamais! Em aucune façon! Jamais!5

Naquele dia, o moço estava definitivamente decidido a sair de casa. Foi despedir-se do pai, que também lhe jogou na cara a doença e quase suplicou que não partisse. Porém, foi inútil. Anselmo reuniu forças, trabalhou duro e em dois meses, levantou uma casinha pouco luxuosa, mas confortável, próxima à confeitaria. Pouco tempo depois adquiriu um carro também modesto e deu-o a Armelina. O veículo passou a ser o ninho de amor do casal, que não atava nem desatava. ELE falava em casamento e ela desconversava. ELA falava em mudar-se para São Paulo e ele desconversava. Não se podia chamar aquela união como noivado ou casamento. Na verdade, estava mais para ¿ajuntamento¿.
Logo se vê que as ambições de Armelina não cabiam naquele vilarejozinho. Com o tempo, ela foi cansando-se dele, e ele, pelo contrário, parecia cada vez mais apaixonado.
Passados quatro meses, a rapariga foi tornando-se cada vez mais exigente, e não se contentava mais só com flores, bombons e cartões.
Exigia toda semana uma generosa quantia para Anselmo. Dizia ela que era para comprar vestidos e perfumes. Ele não recusou. Corrido mais algum tempo, a exigência passou a ser diária, e Anselmo viu que estava indo à bancarrota. Ele resistiu o quanto pôde em dizer-lhe ¿não¿, mas ela ameaçou deixá-lo e o grito que ele deu ajoelhando-se, pareceu ter feito cócegas em Armelina, que desatou a rir.
Depois de incessantes Ne me laisse pas!6 e Sil vous plait7, a cruel dominadora jurou que não o abandonaria. Ele beijou as mãos de sua musa e deu-lhe ali mesmo, no meio da rua, todo o dinheiro que possuía nas algibeiras. No sexto mês, Armelina, melindrosa, disse que só receberia Anselmo se todos os dias ele lhe trouxesse uma jóia. E bateu a porta na cara do apaixonado, deixando-o ao relento, fora de sua própria casa. Louco de desejo e morto de fome foi depressa ao ourives.
Desta vez não houve jeito, a confeitaria foi fechada. Anselmo estava falido, mas nem por isso infeliz. Ter Armelina com ele toda noite, era o que realmente importava. E foi numa dessas noites, na qual ela o fez gritar, de uma dor que não se sente, várias vezes, que ele cedeu a mais um capricho da amante: a venda da casa.
E assim foi feito. Armelina voltou para a casa do pai, que a propósito, andava vestido a ouro e linho, enquanto Anselmo parecia mais um pedinte.
Um mês depois, dizendo-se grávida, quase obrigou o mancebo a trabalhar como caixeiro-viajante. E ele, mais uma vez, concordou sem titubear.
Antes de partir, ele a beijou e saiu dizendo pela rua:

¿ Mariage! Mariage! Mariage!8

Esta foi a última vez que viu Armelina.
Durante todo o tempo que esteve fora, enviou rosas vermelhas, chocolates, tecidos, perfumes e cartas, todas sem resposta. Um dia, recebeu uma carta, mas para sua decepção, não era de Armelina e sim de sua mãe. Nesta correspondência, a senhora dizia que fazia meses que Armelina havia partido, deixando para trás, um mar de dívidas e vergonha.
Também disse, que enquanto o coitado esteve fora, este anjo e esta Vênus que ele tanto idolatrava havia mentido. Não estava grávida. E mais, durante todo um mês chamou todos os rapazes que pôde e gozou com eles o quanto quis. Anselmo parecia ter tomado um tiro, no momento que lera estas linhas. Seus olhos ficaram em brasa, encharcados e num acesso de cólera gritou:

¿ Prostituta!

Imediatamente, tomou o primeiro trem para casa. Por mais incrível que pareça, intimamente, ele ainda tinha esperanças.
Chegou a seu destino numa noite chuvosa, solitário e de coração partido. Ao avistar o sobrado judiado pelo tempo, largou a maleta no chão. Anselmo pôs-se a bater na porta inutilmente, cada vez mais forte até seus pulsos ficarem machucados. Com a roupa encharcada, e totalmente desesperado, recuou dois passos e viu uma rosa murcha no chão. Abaixou-se, pegou-a e ficou de pé em frente ao sobrado.
Ali pensou em tudo que ocorrera e entendeu que não adiantava xingá-la de espevitada, vendida, mulher à-toa, se ela já tinha ido embora, e o único tolo na história era ele. Agora, só restava voltar para casa e esquecer que um dia conhecera Armelina.



NOTAS


(1) Ao trabalho! Ao trabalho!
(2) Belo vestido
(3) Eu te amo, meu amor.
(4) Quero gritar ao mundo meu amor por você.
(5) Jamais! Jamais! De jeito nenhum! Jamais!
(6) Não me deixe!
(7) Por favor.
(8) Casamento!Casamento! Casamento!









por JOYCE COSTA * 10:21 AM

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